Tia da Grana

Empréstimo pessoal ou consignado: qual você pode pegar e quanto cada um custa?

Existem dois caminhos. No empréstimo pessoal, qualquer pessoa com conta pode pedir, o dinheiro cai na conta e você paga o boleto ou o débito todo mês — como o banco não tem garantia, o juro é alto: a média do mercado em julho de 2026 era 6,42% ao mês (110% ao ano), e nos grandes bancos passa de 8%. No consignado, a parcela é descontada direto do benefício do INSS, do salário do servidor ou, desde 2025, do salário de quem tem carteira assinada (Crédito do Trabalhador): o banco recebe na fonte, então o juro despenca — 1,82% ao mês no INSS, 1,81% para servidor, 3,66% para CLT. Só não pode passar de 35% da renda líquida (a “margem”).

A diferença é enorme. R$ 10.000,00 em 24 parcelas: no pessoal a 6,42% dá R$ 827,98 por mês e R$ 9.871,52 só de juros; no consignado do INSS a 1,82%, R$ 517,99 por mês e R$ 2.431,76 de juros — R$ 7.439,76 a menos. A calculadora pergunta a sua situação, descobre se o consignado existe para você, usa a taxa média atual do Banco Central (ou a da sua proposta) e mostra os dois lado a lado, com a margem. É estimativa educativa: falta IOF, tarifas e seguro, que estão no CET da proposta — e não é recomendação de crédito.

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Só valores e datas — nada fica guardado.

Como funciona o cálculo

Empréstimo é Tabela Price: parcelas iguais, juros compostos ao mês. O que muda entre pessoal e consignado é a taxa e o limite. A Tia faz assim:

  1. Descubra se você tem consignado

    Aposentado ou pensionista do INSS, servidor público e trabalhador CLT com carteira assinada podem. Autônomo, MEI e desempregado ficam no pessoal. No INSS o benefício já vem bloqueado para empréstimo por segurança: só você desbloqueia, no app Meu INSS, com biometria.

  2. Pegue a taxa certa

    Se tem a proposta, use a taxa dela. Se não, a calculadora busca a média atual do Banco Central para o seu tipo (em julho de 2026: pessoal 6,42% ao mês, INSS 1,82%, servidor 1,81%, CLT 3,66%). No INSS há teto: 1,85% ao mês (CNPS) — acima disso, algo está errado.

  3. Calcule a parcela e o total de juros

    Parcela = valor × taxa ÷ (1 − (1 + taxa)^−parcelas). Total = parcela × meses; juros = total − valor. R$ 10.000,00 em 24 meses a 1,82%: R$ 517,99 por mês, R$ 2.431,76 de juros. A 6,42%: R$ 827,98 e R$ 9.871,52.

  4. Confira a margem

    No consignado a lei limita as parcelas a 35% do benefício ou salário líquido (com cartão consignado e cartão benefício, o total pode chegar a 40% — regra em revisão em 2026). Com R$ 2.000,00 de benefício, a parcela máxima é R$ 700,00. No pessoal não há lei, mas passar de 30% da renda é sinal de aperto.

  5. Veja o prazo máximo e os riscos

    INSS: até 108 parcelas; servidor federal: 120; CLT: 96. Prazo maior baixa a parcela e sobe o total de juros — e no consignado a margem fica presa por todo o contrato. No CLT, até 10% do saldo do FGTS e a multa de 40% ficam como garantia: se for demitido, o banco pode ficar com essa parte e com até 35% da rescisão.

Exemplo na prática

R$ 10.000,00 em 24 parcelas, empréstimo pessoal a 6,42% ao mês (média do BCB): parcela R$ 827,98; total R$ 19.871,52; juros R$ 9.871,52 — quase o valor emprestado.

Mesmo valor e prazo no consignado do INSS a 1,82%: parcela R$ 517,99; total R$ 12.431,76; juros R$ 2.431,76. Com benefício de R$ 2.000,00, a margem permite até R$ 700,00 de parcela — cabe.

Mesmo valor e prazo no Crédito do Trabalhador (CLT) a 3,66%: parcela R$ 633,24; juros R$ 5.197,76. Para servidor a 1,81%: R$ 517,40 por mês.

Autônomo com proposta a 5% ao mês, R$ 10.000,00 em 24 parcelas e renda de R$ 3.000,00: parcela R$ 724,71 (24% da renda, dentro dos 30%). Sem consignado disponível, o caminho é comparar o CET de bancos, financeiras e cooperativas.

Perguntas que a Tia mais ouve

Qual a diferença entre empréstimo pessoal e consignado?

No pessoal você recebe na conta e paga por boleto ou débito; o banco não tem garantia e cobra juro alto (média 6,42% ao mês em julho de 2026; grandes bancos acima de 8%). No consignado a parcela é descontada direto do benefício ou do salário, antes de o dinheiro chegar em você; o banco quase não tem risco e cobra perto de 2% ao mês (INSS e servidor) ou 3% a 4% (CLT).

Quem pode pegar consignado?

Aposentados e pensionistas do INSS, servidores públicos e, desde 2025, trabalhadores com carteira assinada (Crédito do Trabalhador, pelo app Carteira de Trabalho Digital). Autônomo, MEI e quem está desempregado não têm de onde descontar — ficam no pessoal.

Qual é o teto de juros do consignado do INSS em 2026?

1,85% ao mês para o empréstimo e 2,46% para o cartão consignado, fixados pelo Conselho Nacional de Previdência Social (Resolução 1.368/2025). A média praticada em julho de 2026 era 1,82%. Se a proposta passa disso, confira ou desconfie.

Quanto do salário pode ir para o consignado?

Até 35% do benefício ou salário líquido para as parcelas do empréstimo. Contando cartão consignado e cartão benefício, o total chegava a 45%; uma medida provisória de 2026 reduziu para 40% e a regra está em revisão. A calculadora usa os 35% do empréstimo, que não mudaram.

Em quantas parcelas dá para fazer?

INSS: até 108 parcelas (regra de maio de 2026). Servidor federal: até 120. CLT (Crédito do Trabalhador): até 96. Empréstimo pessoal: sem limite legal — o comum é de 12 a 48. Mais parcelas baixam o valor de cada uma, mas o total de juros cresce.

Meu benefício do INSS está bloqueado para empréstimo. Por quê?

Desde a Lei 15.327/2026 o benefício vem bloqueado por padrão, para evitar golpes: só o titular desbloqueia, no app Meu INSS, com biometria — e o bloqueio volta sozinho depois de cada contratação. Ninguém do governo liga ou manda mensagem oferecendo empréstimo. Desconto que você não autorizou tem que ser devolvido em 30 dias: reclame no 135 e no banco.

Se eu for demitido, o que acontece com o consignado CLT?

O banco pode usar a garantia: até 10% do saldo do seu FGTS mais a multa de 40%, e até 35% das verbas rescisórias. O que sobrar da dívida continua com você. Por isso o juro é menor que o do pessoal, e por isso vale pensar duas vezes antes de comprometer a margem por 96 meses.

O que é CET e por que é maior que a taxa?

O Custo Efetivo Total soma à taxa o IOF (0,0082% ao dia mais 0,38%, no máximo 3,38%), tarifas e seguro, se houver. No Crédito do Trabalhador o CET não pode passar de juros + 1 ponto. Por lei o banco tem que informar o CET antes de você assinar — é por ele que se comparam propostas.

Outras contas que podem ajudar

Regras e tabelas de 2026. Conteúdo revisado em 30/08/2026. Estimativa educativa — não substitui contador ou advogado.